terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um fio de tristeza minha

Uma capa invisível...
Hoje eu procuro um canto... um canto escuro... um canto escuro com uma capa invisível ao lado da cômoda. Desejo do fundo da alma que os segundos se aquietem e me permitam a solidão, sem que nem eu mesma, com a capa, tenha contato com a cor de minha pele. Uma solidão tão maior que eu cerraria minhas dores sem medo de não ver o que está acontecendo. Quando a madrugada fosse dando lugar à manhã, eu sei que me levantaria e continuaria cegando os olhos dos outros quanto aos meus braços, sorriso e tudo o que me veste. Não quero ser vista, não quero falar, nem usar tanto o meu cérebro... lembrar que o tempo está voando, que alguns seres abençoados não vivem mais no mesmo mundo que eu...
Vivo a imginar que ao amar pensando, eu talvez tenha perdido e perca hoje o verdadeiro sentido do abraço, do riso, do beijo.
Há noites que adormecem tristemente em meu coração.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tens que ser Surdo para entender...

http://www.youtube.com/watch?v=T7E6WNgkv5g

Poema de Willard J. Madsen

Que se sente ao ouvir uma mão?
Tens que ser Surdo para entender...

Que se sente sendo uma criança pequena
estar numa Sala, numa Escola,
sem nada ouvir,
com uma professora que fala e fala e fala
e depois se aproxima de ti,
crendo que tenhas entendido o que ela disse?
Que se sente tendo que depender de alguém que ouve
para telefonar a um amigo,
ou fazer uma chamada de negócios,
e seres forçado a partilhar algo tão pessoal,
e depois saberes que a tua mensagem
não foi transmitida claramente?
Que se sente ser Surdo
e estar só numa festa
na companhia dos que ouvem,
e tu a passas tentando adivinhar,
porque não encontras um amigo
que te ajude, e desesperas tentando entender
ao mesmo tempo as palavras e as canções?
Que se sente quando no caminho da Vida
encontras um estranho
que fala sem mexer os lábios,
e tu não consegues entender o que diz,
nem pela expressão da sua cara,
porque não o conheces e te sentes perdido?
Que se sente ao entender uns dedos
que descrevem uma cena,
uns dedos que te serenam,
que te fazem sorrir,
uns dedos que te falam de esperança,
com a palavra falada de uma mão que se move
que te faz sentir seres parte do Mundo?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Reticências do infinito

Descalçarei as sandálias apertadas, o cinto que sufoca meu corpo, a touca que não deixa o fio de cabelo respirar direito, o agasalho que me tira os movimentos involuntários dos braços... não! Eu não quero mais isso! Estou apertada, enlaçada, sufocada, minha pressão baixou, minha vista escureceu... e minha face está pálida, pedindo abrigo ao vento macio que transpassa minha nuca. Sim! Preciso sentar nessa areia porosa, levemente molhada pelo deslise carinhoso do mar durante o nascer do sol. Um vestido branco, por favor! Estou à base dos sentidos, a fé me leva a crer que essa areia úmida enxugará meus pavores, minhas dores... meu coração. Deixa-me na quietude da cena em que me deito, apago os meus olhos, expulso um sorrio espontâneo e canto canto canto. Um canto pro alto, um canto pro espírito, um canto pro mistério agradável de se ouvir as gaivotas conversando e não saber sobre o que conversam, de sentir que um ar desconhecido é capturado pelos meus pulmões cansados... eu sinto! A água do mar chega avançando e se diverte com a chance que tem de molhar mais tarde minha testa seca... até agora só abraça meu tornozelo e isso já faz com que todo o meu corpo tremule, os pêlos subam e eu receba o desejo de ficar mais dois minutos neste lugar... Vai, permita-me o sonho! Aqui não morro, não choro... aqui eu só sei que amo com todas as reticências do infinito.