quarta-feira, 20 de abril de 2011

Levantar-se ao som do sol...

Porque, mesmo com o passar do tempo, eu ainda me via com a necessidade de escrever... de reescrever minha alma hoje, como para aquele que a fala já pouco diz, que os olhos já pouco expressam, que o sorriso já pouco alegra a si mesmo... por isso o ato de escrever se tornará indispensável novamente em alguma curva traçada no caminho.
Caminho sem pegada alguma pela frente... são apenas os pés, de preferência descalços, que encostarão na terra a ponto de marcá-la, a ponto de se confundir com a terra... de, quem sabe, dormir uma noite inteira num desengonçado círculo feito com pressa a fim de apenas encolher-me, aquietando a ansiedade de continuar a andar... e andar.
A curva chama a atenção por ser tão diferente de todo o percurso... ela se atreve a fazer-nos freiar... atenuar nossa rapidez, preparar olhos atentos para a próxima paisagem (se caso vencermos a curva íntima...), abrir nossa camada de medo, existente em todo o ser humano e pintada de aquarela todas as manhãs para o encontro com a vida.
Desconfio que ainda estou deitada no meio da madrugada e no meio do caminho, esperando o Sol nascer... não para mim, mas em mim... e, finalmente, levantar meus olhos para vê-lo com clareza como age desnudo um girassol. Cavar um pequeno buraco na terra e por com cuidado os pensamentos que apagaram o meu dom de sentir, a maravilha de inspirar com esperança, de gargalhar energicamente como criança... de voar em espírito para outros e outros e outros mundos.