terça-feira, 18 de setembro de 2012

Meu leitor.

Ele me revelou, com muita graça e firmeza na voz: "acho que todos deveríamos deixar um livro para nossos filhos." Uma das ideias mais bonitas com que havia me deparado durante a Vida até aqui. Sim, um livro. Um livro no qual todas as palavras e todos os pontos finais e todas as reticências e todas as vírgulas e todos os espaços silenciosos fossem amorosamente inseridos nas folhas de papel branco. Fiquei a refletir sobre o que contar para o ser de quem cuidarei. Penso que o pequeno chegaria a me conhecer melhor do que eu e concluiria, sorrindo, que tenho muito a aprender ainda. Pegaria-me pela mão e diria num tom engraçado, através de olhos docemente compenetrados aos meus: "venha cá, mãe, vou te mostrar o mundo!" E eu iria. Sem nada, descalça - eu iria. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Da solidão no Invisível

A sensação era a de que, a qualquer momento, eu sairia correndo, correndo, correndo... do mundo. A procurar colo. Precisava apenas de um ser que se inclinasse ao meu ouvido e dissesse (baixinho): "Vamos, encoste a cabeça aqui... deixe que eu acaricie seu cabelo nesta tarde quieta, até que venha o anoitecer." E, então, com a lentidão saída de meu caule, ficaria a apertar a pele dele, afim de que quase nos misturássemos na troca de carne, de sangue, de espírito. Porque ser só nunca me pareceu tão árduo. Não pense que gosto de ser só. Solidão é aprendizado contínuo, pede disciplina, pede mente limpa, vista clara e movimentos harmônicos. Pede estado de oração. Solidão pede muito Deus. Sei mesmo é que, por vezes, o calor externo era o sopro de vida que me faltava. Há tempos em que o silêncio de dentro assusta e sente-se fome de abrigo visível. Fica-se parado - quando o medo chora novamente, é hora de voltar a amamentá-lo no Coração Invisível.