quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Talvez fosse melhor sair de fininho, uma outra vez - uma segunda, uma terceira, uma quarta vez.
Sair de fininho sem que me notassem as pegadas em seus jardins. Apenas passar e ir. Ser apenas uma presença. Às vezes me falta a paciência de saber-me pequena passageira na vida dos outros. Vou lá, escuto suas músicas, levo uma nova. Mas nunca há tempo para uma composição. Alguns dias somente e a hora da partida me chega, sem que tivéssemos ficado uma madrugada inteira falando e rindo sobre absolutamente nada e tudo, enquanto raspamos o brigadeiro da panela. Sem que eu te beijasse os olhos e te dissesse, da maneira mais leve, meu sonho. Há uma teoria que diz que alguns de nós podemos ser chamados de pessoas substitutas. Levanto a mão e afirmo que estou dentro dessa categoria. Nunca fui permanente na vida de alguém. Somos?
Quer mesmo saber meu sonho? Agora me sinto pronta para respondê-lo. Eu tenho um. Ou fosse melhor dizer - um sonho me tem. Um sonho tremendamente azul: quero aprender a amar. É isso. É a plenitude disso. É o que me faz ficar bons minutos na feira, conversando com o florista sobre como cuidar das margaridas que levo neste domingo. É o que me faz sorrir para desconhecidos nos ônibus, nos trens, nas calçadas. É o que me move a ver poesia numa pedra e embaixo dela. Ensinam-me essas gentilezas e eu as costuro nas pontas dos dedos e nas pupilas. Coisas tão miúdas para um sonho tão grande.
Quero a liberdade de ver-me em todos os seres e de ver todos os seres em mim. Nós - interligados pelo Sagrado.

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